quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

EM TEMPOS DE KALI-YUGA

“Em Kali-yuga, esta era de desavenças e hipocrisia, haverá um declínio das seguintes qualidades: religiosidade, veracidade, limpeza, tolerância, memória, força física, duração de vida e misericórdia.” (Srila Prabhupada – A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada)

Essas qualidades são inerentes aos seres humanos e os diferenciam dos animais. Com a redução dessas qualidades a vida vai ficando cada vez mais selvagem.

No mundo está faltando misericórdia, aumentou à mentira e a falsidade, as pessoas estão se esquecendo e desprezando os valores humanos e sociais, muitos morrem nos conflitos e desejos de vingança, outros matam por maldade, tantos outros morrem por negligência, imprudência e ignorância.

O homem que vive de forma selvagem e instintiva não usa a razão, vive em conflitos, não possui paz e tira a paz do próximo, atingindo a harmonia social.

O homem selvagem destrói o meio ambiente, é egoísta e possui sede de crescimento, é movido por paixões e ignorâncias, é materialista, Deus não está presente em seu coração.

Na era de Kali-yuga a civilização humana perde espaço para os interesses pessoais, os valores são perdidos no espaço e no tempo provocando um esvaziamento lógico e racional humano. Eles desistem do bem-estar social e primam pela vida individual. O homem segue o caminho da autodestruição e causa consequências sociais e ambientais.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

O LOBO E O CORDEIRO

“O lobo e o cordeiro tinham ido ao mesmo riacho, levados pela sede. O lobo estava mais acima e o cordeiro bem abaixo. Então o bandido, estimulado por sua goela insaciável, introduziu um motivo de briga:
 – Por que – disse ele – sujaste a água que estou bebendo?
Responde o lanígero:
 – Como posso, pergunto, fazer aquilo que reclamas, lobo? A água corre de ti para os meus goles.
O lobo, repelido pela força da verdade, diz:
 – Seis meses atrás tu falaste mal de mim.
O cordeiro respondeu:
 – Mas eu ainda não tinha nascido.
 – Por Hércules – diz o lobo –, o teu pai falou mal de mim.
E assim, agarrando o cordeiro, o dilacera, num cruel assassinato.
Esta história foi escrita por causa daqueles homens que oprimem os inocentes com razões falsas.” (Fedro)

Pessoas más criam circunstâncias para atacar os inocentes, são capazes de falsear argumentos com afirmações de verdade, como fundamento de sua razão de atacar e oprimir o próximo.

Mesmo que o outro esteja certo e com a razão, não tendo argumentos cabíveis ele parte com voracidade ao ataque a fim de destruir e devorar sua vítima.

Falta caráter, falta razão, existe a arrogância, o desprezo e a falta de respeito, a vontade de fazer o mal prevalece, mesmo que custe uma vida.

A sociedade está cheia de lobos a destruir e devorar os cordeiros, não apenas para saciar sua fome, que seria uma necessidade, ao invés disso, é por pura vontade de acabar com o próximo.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A RAPOSA E O CACHO DE UVAS


“Uma raposa faminta, vendo alguns cachos de uvas penderem de uma parreira, foi tomada pelo desejo de apanhá-los, mas não conseguiu atingi-los. Enquanto se afastava, ela disse para si mesma: “São apenas uvas verdes.”
Assim também ocorre com alguns homens que, graças à sua fraqueza, não sendo capazes de chegar ao fim de seus atos, acusam as circunstâncias que encontraram.” (Esopo)

A raposa tinha um desejo de comer as uvas, tinha a necessidade de saciar sua fome, mas logo desistiu.

Ela poderia ter tentado superar o obstáculo da distância do solo, pois a parreira estava carregada e os galhos estavam pendendo com o peso das uvas.

Ao invés de assumir que desistiu de algo que poderia alcançar com um pouco mais de esforço, ela culpou as uvas, disse que eram verdes, uma maneira de justificar sua fraqueza, preferiu ficar faminta.

Mesmo que as circunstâncias não sejam favoráveis as conquistas são possíveis, basta tentar, basta se esforçar e persistir para poder alcançar.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

A RAPOSA E A MÁSCARA

“Uma raposa entrou na casa de um ator, vasculhou cada um de seus utensílios e encontrou, entre outros objetos, uma cabeça de espantalho, perfeitamente modelada. Apanhando-a nas mãos, ela disse: “Oh, que cabeça! Mas não tem miolos.”
Esta fábula se aplica aos homens que são formidáveis de corpo, porém desprovidos de espírito.” (Esopo)

A perfeição corporal não é sinônima de perfeição espiritual.

O corpo corresponde às características e aspectos materiais, enquanto o espírito é transcendental, embora se possuam a origem inicial do perfeito, eles são diferentes.

O corpo se adéqua a vida material e o espírito busca sua origem, vai incorporar os valores e conhecimento transcendente.

Muitos homens são perfeitos de corpo e vazios de espírito, vagam pelo mundo, vivem de impulsos, eles buscam o prazer material, outros parecem zumbis.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

A TARTARUGA E A LEBRE

“Uma tartaruga e uma lebre competiam para saber qual das duas era mais rápida. E assim, determinaram um dia e um local com baliza, e se separaram. A lebre, confiando na ligeireza que lhe é natural, não se preocupou com a corrida: deitou-se à beira do caminho e adormeceu. Já a tartaruga, consciente de sua lerdeza, não deixou de se apressar e, correndo à frente da lebre adormecida, chegou ao termo final e conquistou o prêmio da vitória.
Esta fábula mostra que o esforço vence, muitas vezes a natureza indolente.” (Esopo)

O esforço pode superar a técnica, pode chegar a objetivos além dos que foram muito bem planejados.

O que era algo certo pode deixar de ser quando existe um pensamento indolente da razão.

Subestimar o próximo é um grande risco, humilhá-lo é desumano e imoral.

A perseverança, o esforço e a fé trazem uma energia além dos esforços físicos, um incentivo oxigenador que leva a grandes horizontes e conquistas.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A HISTÓRIA DO LADRÃO

“Existe uma história do ladrão que partiu em peregrinação a uma cidade sagrada. No caminho, ele e os outros peregrinos, pararam para dormir em uma estalagem. Sendo viciado em roubar, o ladrão começou a elaborar planos para roubar os pertences dos outros peregrinos. Porém, ele pensou: “Estou indo em peregrinação, portanto, não me parece apropriado roubar estas bagagens. Não, eu não farei isto”. No entanto, por causa de seu vício, ele não conseguiu abandonar por completo o ato. Assim, ele pegou a mala de alguém e a colocou noutro lugar, e depois a mala de alguém e a colocou noutro lugar. Ele passou a noite inteira colocando diferentes malas em diferentes locais, porque sua consciência o importunava, ele não pôde tirar nada das malas.

De manhã, ao acordarem, todos os peregrinos começaram a procurar suas malas e não as encontraram. Houve um grande tumulto, mas por fim todos foram encontrando suas malas em diferentes locais. Após acharem todas as malas, o ladrão explicou: “Senhores, sou um ladrão e tenho o hábito de roubar durante a noite. Portanto, quis roubar alguma coisa de suas malas, porém, pensei que não seria bom roubar uma vez que estou indo a este lugar sagrado. Assim, talvez eu tenha trocado as bagagens mas, por favor, desculpem-me”. Isto é característico de um vício. Ele não quer mais roubar, porém, às vezes o faz pois ainda mantém o hábito.” (Srila Prabhupada – A. C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada)

O ladrão estava em peregrinação a um lugar sagrado, a busca pelo Senhor começou a mudar sua vida, ele se arrependeu do que fazia e sua consciência pesou.

Embora não conseguisse dominar seu vício, ele buscou forças e mudou a realidade, pois, ao invés de roubar, ele apenas mudou as malas de lugar, deixando as intactas e não as violando.

O ladrão ao final teve coragem de confessar o que era e que foi ele quem escondeu as malas, demonstrou publicamente o sentimento de arrependimento já que buscava o sagrado e foi Deus         quem tocou seu coração e mudou sua vida. Sendo assim, pediu desculpa a todos pelo transtorno causado.

A partir daquela noite, ele passou a ser consciente, ele tentou ser uma pessoa melhor, deu um exemplo de mudança, embora tivesse um passado sombrio e vergonhoso, ele agora procura combater o seu vício e estar ainda mais consciente de Deus.

Ele ao contar publicamente ensinou a outros que ainda é tempo de mudar, de se arrepender pelo que fez, de ser uma boa pessoa e de não prejudicar os outros, e o maior exemplo que transformou totalmente sua vida, buscar a Deus.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

O LEGADO DO SER

“Há algo que fica imantado à existência visível ou invisível de um ser; são os feitos, os pensamentos, as ideias e as palavras que caracterizam sua vida.” (Carlos Bernardo González Pecotche – Raumsol)

O legado de um ser não são seus bens materiais, não são suas riquezas, pompas e sutilezas.

O legado de um ser são os seus feitos para humanidade, para o meio ambiente, para os necessitados, para a sociedade.

O legado de um ser são seus pensamentos, ideias e palavras, que são luzes, são preceitos, são exemplos, conselhos, artes, um patrimônio material e imaterial que compõem o universo cultural.

O legado de um ser é seu exemplo de vida, suas ações e atitudes, seu jeito de ser, sua humildade, sua prudência, seu jeito de amar, sua capacidade de servir, sua crença, sua fé.