domingo, 29 de junho de 2014

O HOMEM DESORIENTADO A PROCURA DE DEUS


 
(Omar Khayyám – Omar Iben Ibrahim El-Khaiami)


Ó Allah,

incerto, vacilante,

sem rumo,

inteiramente desorientado,

não consigo provar

a realidade do Teu ser.



Profundas meditações,

trabalhosas lucubrações

são simples devaneios,

pesquisas no vácuo

em busca da tua existência,

que não consigo vislumbrar.



Em sã consciência,

não posso compreender

de que modo Tu existes,

embora muita gente

consagre e descreva

os mais fantasiosos predicados

que Te resolveram emprestar.



A conclusão de tudo isso

é que ninguém Te poderá conhecer

com exceção de Ti mesmo.” (Omar Khayyám – Omar Iben Ibrahim El-Khaiami)

O homem desorientado busca encontrar Allah, reconhece que tem uma vida incerta e vacilante, anda sem rumo e não consegue encontrar Deus, pois, ainda não teve um real contato com ele.

Por mais que ele medite, faça extremos sacrifícios, inúmeras pesquisas e tentativas, sua mente está ligada a matéria, ao que fantasiosamente é provado e exato, por isso ele não consegue vislumbrar Allah. Não houve a transcendência do pensamento, seu olhar é humano, ele não compreende o mundo espiritual e a infinitude de Deus.

Ele reconhece que sua consciência é humana e material, que perante a sociedade ela é sã, embora as pessoas atribuam fenômenos e acontecimentos a pessoa e ao poder divino, ele não consegue compreender de que modo Deus existe, sua compreensão é limitada, sua fé não existe, apenas ele pesquisa os conhecimentos mas não absorve a sabedoria das Sagradas Escrituras.

Apesar de não encontrar Allah, mas de não cessar as buscas desorientadas, o homem conclui que Deus é tão infinito que ninguém é capaz de conhecê-lo totalmente, com exceção dele mesmo.

Ao invés de conhecer a Deus pela fé, o homem desorientado o buscou pela matéria, pela humanidade e exatidão, Deus é o Supremo Creador, tudo vem dele, tudo possui sua energia. Ele existe além da matéria, vive no mundo espiritual e tem contato direto conosco, para isso, é preciso encontrá-lo e viver em conexão com ele.

Se procurarmos o Supremo Creador pelo caminho certo, ele vai nos orientar, vai preencher o vazio que existe em nossa vida, vai nos encher de amor, felicidade e alegria, vai nos dar uma nova vida no mundo material.

sábado, 28 de junho de 2014

O LAVRADOR E A ÁRVORE



Na propriedade de um lavrador, havia uma árvore que não dava frutos, e servia apenas como refúgio de pardais e de cigarras barulhentas. Como ela fosse estéril, o lavrador resolveu cortá-la. Machado em punho, desferiu o primeiro golpe. As cigarras e os pardais puseram-se a suplicar que não abastecesse o seu abrigo, mas que o poupasse, e assim eles poderiam cantar e alegrar o lavrador. Este porém, sem se preocupar com eles, aplicou um segundo golpe. No terceiro golpe, como fizesse um buraco na árvore, encontrou um enxame de abelhas e o mel. Provou dele e gostou. Atirou então o machado fora e passou a honrar a árvore, como se fosse sagrada, e a tomar conta dela.” (Esopo)

A natureza do homem mandava que ele destruísse a árvore e acabasse com o refúgio de pardais e cigarras.

Enquanto alguns apreciam o canto dos pardais e das cigarras, para aquele homem, o canto era motivo de aborrecimento.

A falta de frutos da árvore a deixava sem valor e serventia, por isso, ele quis acabar com a árvore que servia para pardais e cigarras, mas não servia para ele.

Mesmo diante das súplicas dos pardais e das cigarras, o homem não demonstrou piedade e compaixão, continuou com as machadadas e ia por seu refúgio abaixo.

O cantar dos pardais e das cigarras não tinha valor, apenas os frutos deixavam o homem alegre, pois, na sua concepção, o que não rende frutos a ele, não tem valor algum.

Somente após encontrar o enxame de abelhas e o mel, o homem passou a valorizar a árvore, pois, a partir dali, viu que poderia tirar alguma vantagem da árvore com o mel e as abelhas.

O homem não tinha amor e respeito ao meio ambiente, apenas vivia perseguindo obter vantagens materiais.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

TODOS NÓS VIVEMOS SOB O MESMO CÉU



 (Konrad Adenauer)


Todos nós vivemos sob o mesmo céu, mas nem todos vêem o mesmo horizonte.” (Konrad Adenauer)

Embora estejamos nos mais diversos lugares aqui da terra, sempre estaremos vivendo abaixo do mesmo céu.

Isso nos torna iguais e devíamos nos reconhecer como seres iguais, não devendo existir um pensamento preconceituoso de superioridade e inferioridade e nem a falta de respeito com o próximo.

O que nos diferencia uns dos outros é a capacidade de enxergar o horizonte, pois, ele está distante e ao alcance de todos, mas nem todos o percebem ou o alcançam, é necessária uma preparação para chegar até ele, os olhos precisam se abrir.

Todos pretendem chegar ao horizonte, mas eles só chegarão no momento certo, e mesmo antes disto, eles necessitam ver o horizonte e poder conhecer um pouco dele.

terça-feira, 24 de junho de 2014

A GATA E AFRODITE



(Esopo)


Uma gata, que se apaixonara por um belo jovem, suplicou a Afrodite que a transformasse em mulher. A deusa apiedou-se de sua paixão e a transformou em uma bela moça. Assim que o jovem a viu, foi seduzido e a tomou por esposa. Repousavam na câmara nupcial, quando Afrodite, querendo saber se, mudando de corpo, a gata também mudara seus hábitos, soltou um rato no meio do quarto. Esquecida da sua situação, a jovem levantou-se do leito e perseguiu o rato para devorá-lo. A deusa então, indignada, a fez voltar à sua natureza anterior.” (Esopo)

A gata pediu a Afrodite que transformasse apenas sua aparência, mas nada no seu interior foi mudado.

A gata passou a ser uma mulher com os mesmos hábitos de uma gata, por isso, foi testada por Afrodite.

Os homens podem mudar de roupa e de estereótipo, mas naturalmente, seus hábitos permanecem os mesmos.

A natureza enquanto não for mudada, permanece intacta, assim, a mudança de corpo não traz nenhuma alteração ao interior do ser.

Quando o homem evolui, ele abandona seus velhos hábitos, aperfeiçoa sua natureza, passa a ser uma nova pessoa.

domingo, 22 de junho de 2014

MANEJAR O SILÊNCIO É MAIS DIFÍCIL QUE MANEJAR A PALAVRA



(Georges Clemenceau – Georges Benjamim Clemenceau)


Manejar o silêncio é mais difícil que manejar a palavra.” (Georges Clemenceau – Georges Benjamim Clemenceau)

Quando fechamos nossa boca, podemos controlar a emissão de novas palavras.

A boca pode ser controlada, desse modo, impedimos a saída de novas palavras.

O som se propaga, entra e sai pelos ouvidos, por isso, o silêncio não depende apenas de nós mesmos.

Devido a essa propriedade do som, nossos ouvidos são incapazes de manter o pleno silêncio, pois, eles podem ser facilmente vencidos pela potência do som.

Nós manejamos as nossas palavras e tentamos manejar o silêncio no local que estivermos.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

BÓREAS E O SOL




Bóreas e o sol discutiam quanto a seu poder. Decidiram reconhecer como vencedor aquele despojasse um viajante de suas vestes. Começou Bóreas, soprando com força e, vendo que o homem segurasse suas vestes, o vento redobrou sua fúria. Mas o homem, mais incomodado ainda pelo frio, vestiu mais uma roupa, tanto que Bóreas, desanimado, o deixou para o sol. Este, de início brilhou moderadamente. Como o homem tirasse apenas sua segunda veste, o deus resplandeceu com mais ardor, até que, não aguentando mais o calor, o homem tirou toda a roupa e foi tomar banho no rio vizinho.” (Esopo)

Bóreas queria vencer com sua poderosa força, seu poder do vento, mas, a ventania se tornou tão fria, que o homem conseguiu ficar ainda mais protegido e fez Bóreas desistir e deixar que o sol tivesse sua oportunidade.

O sol utilizou-se de outra estratégia, ao invés de um calor intenso, ele começou de forma moderada e já foi suficiente para diminuir a proteção do homem, logo em seguida aumentou seu calor sem precisar de muita força, venceu o homem e o duelo com Bóreas.

Enquanto Bóreas usou sua violenta ventania para vencer o homem até o ponto de se tornar frio e ser vencido pelo homem, ficar frustrado e acabar abandonando a competição, o sol agiu com inteligência e moderação convenceu o homem do calor que estava fazendo e que ele deveria abandonar suas vestes e ir se refrescar no rio.

O sol teve uma brilhante vitória sem fazer o uso da violência, apenas utilizou a persuasão.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

O HOMEM NATURAL



(Bernard W. Snelgrove)


O que é “homem natural”? O homem natural é aquele que não tem entendimento espiritual. O homem natural não tem condição alguma de agradar a Deus e muito menos de fazer algo por si mesmo. O talento natural – e tudo o que o homem é naturalmente – em nada glorifica a Deus, somente glorifica (manifesta) o próprio homem.” (Bernard W. Snelgrove)

O homem natural vive por viver, não descobriu o real sentido da vida e quer sempre desfrutar do mundo cada vez mais.

O homem natural gosta de ser servido, de reinar, de comandar, acha que é capaz de tudo, um todo poderoso.

O homem natural é totalmente dependente dos outros, não consegue viver sozinho, pois, existe um vazio em seu coração.

O homem natural vive de emoções, instintos e impulsos, é apaixonado e ignorante, mas também pode ser bondoso em certos momentos.

O homem natural sempre age com interesses predeterminados, de tudo quer uma contraprestação, não faz nada por bondade, amor e amizade.

O homem natural utiliza seus talentos para se glorificar, mostrar superioridade, ele sempre é melhor que os outros, bem como seus talentos.

O homem natural é preso ao ciclo de nascimentos e mortes, se perdeu, não sabe retornar à sua origem, não sabe quem é, de onde veio e para onde vai, seu futuro é morrer e nascer.

O homem natural vive influenciado pelos modos da natureza, não tem fé, não tem esperança, vive a toa na vida.

O homem natural vive de ilusões e sofrimentos, se acha um rei no mundo, mas, na verdade, não passa de um escravo do mundo.

O homem natural é materialista, vive frustrado e tentando preencher o vazio que há dentro de si mesmo, é espiritualmente morto.