sábado, 10 de setembro de 2011

MÁS COMPANHIAS

"De resto, esta minha conduta me parece muito mais modesta do que a que costuma ter maior parte dos grandes e dos sábios do mundo. É que estes, calcando o pudor aos pés, subornam qualquer panegirista adulador, ou um poetastro tagarela, que, à custa do ouro, recita os seus elogios, que não passam, afinal, de uma rede de mentiras. E, enquanto o modestíssimo homem fica a escutá-lo, o adulador ostenta penas de pavão, levanta a crista, modula uma voz de timbre descarado comparando aos deuses o homenzinho de nada, apresentando-o como modelo absoluto de todas as virtudes, muito embora sabia ele muito longe disso, enfeitando com penas não suas a desprezível gralha, esforçando-se por alvejar as peles da Etiópia, e, finalmente, fazendo de uma mosca um elefante." (Erasmo de Rotterdam)

Um grande homem não necessita de aduladores ao seu redor, basta exprimir seus pensamentos perante a sociedade. Falsos aduladores caracterizam a falta de originalidade a autenticidade das idéias, junto a uma multidão que foi formada a partir da compra daqueles momentos, onde falsas idéias aplaudidas aparentam ser grandes verdades.

Companheiros sinceros demonstram a verdade que paira em um auditório que aguarda um discurso, não atraídos por qualquer dinheiro que os compre, e sim, pelo prazer de escutar um bom discurso e ouvir grandes idéias e ensinamentos, que saíram de um emissor capaz de formulá-las e estudá-las.

Isso demonstra que muitas daquelas multidões enfeitadas estão naquele determinado local com a finalidade de obter lucro, e não pelo fato de conhecerem a verdade e na busca de ouvir grandes pensamentos de um pensador com um vasto conhecimento, mas ainda é anônimo na sociedade.

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