domingo, 7 de abril de 2013

A BOA-FÉ



André Comte-Sponville


“O que é a boa-fé? É um fato, que é psicológico, e uma virtude, que é moral. Como fato, é a conformidade dos atos e das palavras com a vida interior, ou desta consigo mesma. Como virtude, é o amor ou o respeito à verdade, e a única fé que vale.” (André Comte-Sponville)

A boa fé não é a certeza e nem a verdade, é a atitude de agir com bondade, com a verdade acreditada, é agir sem maldade mesmo estando errado, um erro justificado pelo desconhecimento ou pela inocência.

Quem age de boa-fé pode estar enganado e pensar que aquele ato é correto e verdadeiro, quando for descoberta a verdade, a pessoa justificará sua atitude e descobrirá que fora enganada ou agia pensando que estava correta, mas sua ação errônea era sem maldade.

Quem está de boa-fé age com sinceridade, acredita em uma verdade, que naquele momento aparenta ser autêntica. Por isso, ao invés de ser absoluta, a boa-fé é relativa, estando certa ou não, ela é moralmente aceita devido à pessoa ter o desejo e o esforço de agir com a verdade e a bondade.

Quem age de boa-fé e está cometendo erros, tem a humildade de reconhecer suas atitudes quando descobre a verdadeira verdade. A pessoa reflete e explica a razão de ter agido e o que pensava naquele momento.

A boa fé respeita a moral e a dignidade, procura o bem-estar e revela a verdade.


sábado, 6 de abril de 2013

A FÓRMULA DE ORAÇÃO DE FÉNELON



François de Salignac de La Mothe-Fénelon
 
François Fénelon - Duque de Fénelon


A sua vida de oração é consistente? Ela é rica e recompensadora? Você vê nela um crescimento mensurável? Se sua vida de oração não é assim, um francês do século XVII chamado François Fénelon nos diz como orar e obter resultados. É uma fórmula consagrada que vale a pena seguir:

“Conte a Deus o que está no seu coração, como alguém que desabafa seus sentimentos, seus prazeres e suas dores, para um amigo querido. Conte a Ele os seus problemas para que Ele possa consolá-lo; conte a Ele; conte a Ele os seus anseios, para que Ele possa purificá-los; conte a Ele os seus desgostos, para que Ele possa ajudá-lo a vencê-los; conte a Ele as suas tentações, para que Ele possa defendê-lo delas; mostre a Ele as feridas da sua alma para que Ele possa curá-las; revele a sua indiferença ao bem, o seu gosto depravado pelo mal, a sua instabilidade. Diga a Ele como o amor a si mesmo o torna injusto com os outros, como a vaidade o tenta a ser insincero, como o orgulho o oculta de si mesmo e dos outros. Se você assim derramar todas as suas fraquezas, necessidades e problemas, não haverá falta do que dizer. Você jamais esgotará o assunto, pois ele se renovará. As pessoas que não têm segredos entre si nunca sentem falta de assunto para conversar. Elas não medem suas palavras porque não há nada para ser retido. Nem ficam à procura do que dizer. Elas falam da abundância do que há no seu coração. Sem refletir muito, elas simplesmente dizem o que pensam. Quando perguntam, perguntam com fé, confiando que serão ouvidas. Bem-aventurados são aqueles que atingem uma comunicação tão familiar e sem reservas com Deus.” (François de Salignac de La Mothe-Fénelon)

Quando o homem procurar Deus, encontrará todas as respostas que procura, tirará todas as suas dúvidas e achará tudo o que procura.

Deus nos dá toda a proteção que precisamos, cura as nossas feridas da alma e atua em nosso coração, nos transformando em pessoas melhores.

Sempre temos o que falar com Deus e ele sempre está disposto a nos escutar, basta procurarmos ele e falar de coração e com sinceridade.

Deixando que ele tome conta de nossa vida e das nossas decisões, seguiremos pelo caminho das luzes e não andaremos encobertos pela escuridão, seremos luzes acesas na escuridão.

Deus nos dá forças, ele aumenta nossa fé, assim crescemos espiritualmente em comunhão com ele, um elo direto com o Supremo, receberemos conhecimento para uma vida melhor.

Teremos inteligência e paciência para solucionar os nossos problemas e enfrentar os desafios e momentos difíceis que surgirem em nossa vida.

Encontraremos a plenitude da alegria e da felicidade, nossas tristezas não tomarão o lugar de um sorriso e nem de uma boa conversa com Deus.

Deus nos dará uma vida em abundância, a santidade que cada um procura para viver além da vida, a verdade que cada um de nós procura descobrir e conhecer.

Estaremos conscientes da existência das iscas e das armadilhas que tentam nos aprisionar e nos destruir, mas Deus é mais poderoso e não nos deixa cair nelas.


sexta-feira, 5 de abril de 2013

OBSERVANDO OS GANSOS



 
Gansos voando em V



“Os gansos voam unidos; nenhum ganso consegue voar uma distância tão longa sozinho. Eles foram projetados para voar na sua característica formação em “V”. Quando um pássaro bate as asas, o movimento de ar que é provocado fornece uma elevação, facilitando a carga de trabalho do pássaro que está atrás. Juntos, seu alcance de vôo aumenta cerca de setenta por cento. Até os gansos mais jovens, os mais fracos e os mais velhos podem fazer a viagem. Juntos, eles realizam o que jamais conseguiriam realizar separadamente.” (Autor Desconhecido)

A união faz a força dos gansos, assim, eles podem voar por longas distancias, sejam eles novos gansos ou velhos gansos, cada um contribui para que o outro possa voar junto ao longo do trajeto.

A formação em “V” preserva todos os gansos, eles voam como se fossem um super-ganso, com a potência da força da união. Um vôo forte e rápido, evitando um desgaste de força e criando uma impulsão extra e decorrente da união e da formação.

Os novos gansos não excluem os gansos mais velhos, pois, na formação em “V”, cada ganso tem o seu papel e todos eles são importantes. A solidariedade existe entre eles, não existe espaço para a desunião e o egoísmo, todos são cooperadores.

Os gansos não brigam, eles acolhem também os outros gansos perdidos ou desgarrados que queiram se unirem a eles, eles são bondosos e generosos, acolhem também os gansos doentes, eles não excluem e nem abandonam, estão sempre dispostos a ajudar o próximo.

Podemos aprender muito observando a vida dos gansos.


quinta-feira, 4 de abril de 2013

SER SIMPLES



André Comte-Sponville


“O simples não se questiona tanto assim sobre si mesmo. Porque se aceita como é? Já seria dizer demais. Ele não se aceita nem se recusa. Não se interroga, não se contempla, não se considera. Não se louva nem se despreza.” (André Comte-Sponville)

O simples vive a sua vida do jeito que ele é, não se preocupa com os deleites e devaneios que o materialismo lhe induz a aceitar, ele não se preocupa com o que os outros pensam sobre a vida dele.

O simples vive uma vida em paz e harmonia com a natureza, não se exclui da sociedade, mas também não se apega as vaidades do consumismo, ele pode ser feliz com uma vida diferenciada.

O simples não tem ganância e nem exageros, ela vive de tranquilidade e consciência. O simples vive um existencialismo real, com reflexividade e verdade. A riqueza da simplicidade é a liberdade, a leveza, uma vida com transparência e humildade.


quarta-feira, 3 de abril de 2013

A HUMILDADE É UMA VIRTUDE HUMILDE




André Comte-Sponville


“A humildade é uma virtude humilde: ela até duvida que seja uma virtude! Quem se gabasse da sua mostraria simplesmente que ela lhe falta.” (André Comte-Sponville)

A humildade não se gaba de ser uma virtude, se ela se gabasse, não seria um gesto de humildade.

A humildade é discreta, passando muitas vezes despercebida devido a sua simplicidade.

A humildade não desvaloriza o homem, ao invés disso, ela agrega valores á ele.

Os humildes possuem um conhecimento lúcido que é reconhecido por todos.

A humildade não é vaidosa, ela é simples e humana.

A humildade não tem orgulho, ela tem respeito as pessoas e valoriza a liberdade e a dignidade da humanidade.


terça-feira, 2 de abril de 2013

A GRATIDÃO




André Comte-Sponville


“A gratidão é a mais agradável das virtudes; não é, no entanto a mais fácil. Por que seria? Há prazeres difíceis ou raros, que nem por isso são menos agradáveis. Talvez sejam até mais. No caso da gratidão, todavia, a satisfação surpreende menos que a dificuldade.” (André Comte-Sponville)

Da gratidão decorrem a alegria e a felicidade, um prazer natural que é sentido.

Quando agradecemos doamos sorrisos, gestos, alegrias e felicidades com o próximo, é uma doação que nada nos tira e muito nos acrescenta.

A gratidão é demonstração de humildade ao ser grato com as pessoas e situações.

É retribuição de alegria, amor, afeto, uma demonstração pura e verdadeira, é uma partilha da felicidade que estamos sentindo.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

O QUE É MISERICÓRDIA?



André Comte-Sponville


“É cessar de odiar, e é essa de fato a definição da misericórdia: ela é a virtude que triunfa sobre o ressentimento, sobre o ódio justificado (pelo que ela vai além da justiça), o rancor, o desejo de vingança ou de punição. A virtude que perdoa, pois, não suprimindo a falta ou a ofensa, o que não é possível, mas cessando de, como se diz, ter raiva de quem nos ofendeu ou nos prejudicou. Não é a clemência, que só renuncia a punir (podemos odiar sem punir, assim como punir sem odiar), nem a compaixão, que só simpatiza no sofrimento (podemos ser culpados sem sofrer, assim como sofrer sem sermos culpados), nem enfim a absolvição, entendida como o poder – que só poderia ser sobrenatural – de anular os pecados ou as faltas.” (André Comte-Sponville)

A misericórdia é bondade, é perdão, pois, não guarda ódio, rancor, e nem vingança.

O misericordioso não pune e nem odeia, não tem raiva, vai além da compaixão com o sofrimento do próximo.

A misericórdia perdoa as grandes dores, sua capacidade de triunfar sobre as ofensas é imensa.

O misericordioso é feliz e age com amor e alegria, sua bondade transcende a justiça.

A misericórdia é livre, é amor e é verdade, ela perdoa sem interesses e não guarda nenhuma mágoa da ofensa que um dia recebera.

A misericórdia liberta o ofensor do sofrimento do arrependimento pelo mal causado, anula o sentimento de culpa.