terça-feira, 9 de outubro de 2012

A RAPOSA E AS UVAS


“Contam que certa raposa astuta, quase morta de fome, sem eira nem beira, andando à caça de manhã, passou por uma parreira carregada de cachos de uva bem maduros, todos pendentes na grade que oferecia suporte à videira.

Mas eles estavam altos demais e a raposa não podia alcançá-los. De bom grado ela os trituraria, mas sem lhes poder tocar disse:

-Estão verdes... já vi que são azedas e duras. Só os cães podem pegá-las.

E foi embora a raposa, deixando para trás os cachos de uva, madurinhos e doces, prontos para quem por ali passasse e pudesse alcançá-los.” (Jean de La Fontaine)

A raposa astuta e esperta, necessitando de alimento, sequer tentou alcançar o cacho de uvas maduro que estava diante dela.

Para justificar sua falta de perspectiva, ela criou a fantasia de que as uvas eram verdes, azedas e duras, uma verdadeira contrariedade à realidade existencial.

As raposas astutas preferem as facilidades, são querem se esforçar em momento algum, apenas querem obter vantagens e deixam de saborear as delícias da vida.

Elas negam a verdade e vivem da mentira, buscam ludibriar o próximo, estão sempre preparadas para golpear a próxima vítima.

A frustração e o sentimento de derrota da raposa fazem com que ela jogue a culpa nos outros, ela não usa sua consciência, quer viver inconsciente para não responder por seus atos.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A CORRIDA DA FELICIDADE


“Todos correm atrás da felicidade, mas a felicidade está correndo atrás de todos.” (Bertolt Brecht)

Muitos buscam a felicidade nas coisas materiais, fúteis e passageiras, elas não os deixam felizes e eles continuam a correr atrás da felicidade.

A felicidade está em Deus e ele quer ver as pessoas felizes, quer fazer todos felizes, enquanto uns buscam a falsa felicidade, a verdadeira felicidade está em busca deles.

Quem está feliz graças a Deus, está feliz eternamente, vive uma vida em comunhão com ele e atravessa os momentos de tristeza com alegria.

domingo, 7 de outubro de 2012

OS COELHOS


“Discurso ao senhor duque de La Rochefoucauld

Observando as ações dos homens, cada dia mais me convenço de que elas se assemelham às dos animais. E para comprovar minha teoria, exemplifico com uma história que aconteceu comigo.

Tendo saído para uma caçada, de tocaia no galho de uma árvore, vi um coelho distanciado dos outros. Atirei nele e matei-o. O estampido fez com que todos os coelhos que estavam por perto fugissem rapidamente e procurassem segurança em cavidades subterrâneas.

Mas, dali a pouco, os coelhos voltaram à superfície e continuaram suas vidinhas alegres e corriqueiras, esquecidos do perigo que há pouco os assustara.

Não age assim também a espécie humana? Ameaçados por uma tempestade, os homens procuram proteção num “porto seguro”, colocando em segurança a sua vida. No entanto, passado o perigo, eles se expõem novamente a outros temporais, quem sabe até mais violentos.

E para reforçar minha argumentação, cito ainda outro exemplo:

Quando os cães passam por territórios estranhos aos que lhe são costumeiros, provocam a ira dos animais locais que, a latidos e dentadas, espantam os supostos invasores por pressentirem neles uma ameaça aos seus domínios.

Os homens se assemelham aos cães quando atacam o que é novo por medo de serem por ele substituídos. Segundo a lógica dos seres humanos de vida trivial, quanto menos inovação, melhor.

Assim acontece também com os escritores. Dizem os mais antigos: “Abaixo o novo autor”. Que haja ao redor do bolo o mínimo de sócios. Essa é a regra do jogo e dos negócios.

Tolos são os homens! Não vêem eles que, passado o primeiro impacto, as coisas se acomodam? O novo ganha seu espaço muitas vezes sem invadir o espaço alheio. E dali a algum tempo, findo o sabor da novidade, tudo se ajeita. Até que apareça outra inovação e a história se repita.

E vós, a quem este discurso de dirige; vós, em que a modéstia à grandeza se alia; que vosso nome receba aqui uma homenagem do tempo e dos censores pelo justificado e merecido louvor.” (Jean de La Fontaine)

Os homens vivem expostos aos perigos, alguns podem ser previstos e existe a prevenção contra eles, outros são inesperados.

Alguns perigos são evitáveis, mas devido a acomodação humana eles podem ocorrer e causar sérios prejuízos devido a sua gravidade.

Os caçadores estão sempre em busca de suas presas, as observam de perto e de longo, se fazem como pessoas comuns para poder passar despercebidas por suas prováveis vítimas. Quando os caçadores quando não conseguem alcançar suas presas, às vezes tentam pegar a presa que estiver ao seu alcance apenas para alimentar ainda mais seu instinto caçador, mortal e destruidor, pois, mesmo assim não estarão satisfeitos, apenas alimentarão ainda mais seu instinto.

Os homens buscam se defender dos males, utilizam as mais diversas técnicas e maneiras, podem evitar que pessoas más os atinjam, mas eles sempre estarão ao seu redor, planejando e buscando uma forma de atacá-los.

Os homens ao se defenderem devem ter cuidado, pois existe um limite para sua defesa, o excesso deve ser evitado, pois, ele pode colaborar para extensão das gravidades decorrentes das ações e reações e que gerarão inúmeras consequências.

O novo nem sempre é aceito, embora possa ser bom ou não, muitas vezes é criticado e dispensado antes mesmo de ser conhecido. Devido à existência do novo, muitas desconfianças podem ocorrer, bem como ameaças para afastá-lo ou o impedir, assim como existe o medo de conhecê-lo, também existe o medo de perder seu lugar á ele ou até de conviver com ele, mesmo que ele não queira tomar nada de você.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

O INTERESSE


“O interesse fala toda espécie de língua e faz toda espécie de papel, mesmo o do desinteressado.” (François IV duque de La Rochefoucauld)

O interesse faz um grande jogo, é estratégico, cria modos de realizar seus desejos não importa o que seja necessário para garantir a vitória no jogo.

O interesse engole as pessoas, as envolve num clima sedutor onde as falsas promessas surgem e as pessoas se sentem atraídas pelas vantagens materiais que poderão conseguir ao fazerem a vontade dos sedutores.

Existem pessoas com inúmeros interesses, elas são incansáveis e vivem correndo atrás deles, pois, nunca estão satisfeitas, as maneiras mais fáceis de satisfazer tais desejos não as animam, não tem sabor e nem sentimentos, sendo assim elas vão em busca de mais e mais e nunca se sentem realizadas.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

SER O QUE SE É


“É necessário apreciarmos o que somos. Quando sentimos inveja, supervalorizamos a figura do outro e subestimamos tudo que temos e conquistamos. É preciso ser o que se é. Nem colocarmos as criaturas num pedestal, nem nos rebaixarmos à condição de capachos.” (Hammed)

Nós somos grandes criaturas, temos qualidades, nascemos com uma identidade única na forma humana, nascemos e somos.

É preciso ser o que somos ao invés de querer ser o outro, podemos até ter qualidades e comportamentos iguais, mas cada ser é um ser e cada ser nasce para ser, cada um será e cabe a cada um seguir a natureza da sua alma, que nasce pura e bondosa.

A inveja reduz o ser, tão grandiosa creatura divina pode viver sem inveja, basta ser o que se é, não é preciso querer ser o outro para ser uma pessoa maravilhosa, cada pessoa que habita esse mundo é especial e veio viver sua vida, possui uma missão na terra a ser cumprida.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

A TEIA DA ADULAÇÃO

“Indivíduos imaturos gostam das pessoas não por aquilo que elas são, mas por aquilo que elas os fazem sentir. A adulação é uma porta escancarada para o favoritismo, mas aquilo estreita para aqueles dotados de autoconfiança. A vaidade é a ostentação dos que procuram lisonjas, ou a ilusão dos que querem ter êxito diante do mundo, e não dentro de si mesmos.” (Hammed)

Os aduladores fazem elogios buscando obter vantagens, tirar proveito dos adulados.

Os adulados também geram sentimentos nos aduladores, que ficam atraídos por eles e começam a os perseguirem e quererem ficar na companhia deles.

Um mundo de ilusões é criado, seja envolvendo os aduladores ou os adulados que podem ficar fascinados com os elogios e companhias e depois se encontrarem sozinhos e desprestigiados após a fuga dos aduladores após conseguirem seus objetivos.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A ENFERMIDADE DO IGNORANTE


“A enfermidade do ignorante é ignorar sua própria ignorância.” (Amos Bronson Alcott)

O ignorante que não reconhece seu modo de vida na ignorância vive na ilusão.

O ignorante vive na cegueira de suas atitudes, e ainda pode se achar correto, mas, ao invés disso ele está sendo um grande ignorante.

A enfermidade do ignorante é ignorar sua própria ignorância, não querer mudar seu modo de vida e prejudicar a outros devido as suas atitudes e comportamentos.

Para curar essa enfermidade, o ignorante precisa passar a viver no modo da bondade, dessa maneira a ignorância vai se reduzindo, bem como seu modo de agir e pensar.